sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NO DIA DO DESIGNER, MINHA HOMENAGEM AO BERÇO MUNDIAL DO DESIGN!


Como filha de arquiteto com veias modernistas, sempre me atraí pelas imagens da Bauhaus retidas em minhas retinas ao longo da infância, mas foi só com cerca de 22 anos, quando já tinha eu mesma deixado a faculdade de arquitetura pela de publicidade e a de publicidade pela de cinema, que compreendi por completo a importância crucial para o mundo de hoje da escola nascida da auspiciosa República de Weimar. Até esse momento, na História da Humanidade, havia uma característica intrínseca à estética não-naïve, por assim chamar às "belas artes", - ela pertencia apenas e tão somente às elites. A Bauhaus veio para mudar isso. Para sempre!

Naquele momento, no restrito mundo dessas elites, ainda imperava o movimento mundial de Arts and Crafts, ou Art Nouveau, artes decorativas ou ainda arte aplicada. Foi algo de extrema importância, que surgiu por causa da demanda de uma nova burguesia industrial. Artesãos geniais, como Lalique (por cujo trabalho eu, pessoalmente, tenho tanta ou mais fascinação que pelo de um Monet, juro!), são realmente equiparados socialmente a virtuosos artistas emergentes. Isso aconteceu por que a nova elite burguesa era maior que a anterior, aristocrática, e demandava por excelentes peças utilitárias para fazer que as suas moradias pudessem, ao menos um pouco, evocar uma atmosfera palaciana e aristocrática. Por isso o rebuscamento dos desenhos utilizados nesse tipo de arte aplicada, que ainda pode ser conhecida estilisticamente pelo nome de Arte Floral.

Mas, lembrem-se!, artesanato não é Design! Nem tampouco arte aplicada o é!


Mas, em 1919, Walter Gropius fundou a Staatliches-Bauhaus (literalmente, casa estatal da construção, mais conhecida simplesmente por Bauhaus) e, ao lado dele, nomes como Mies Van der Rohe, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Marcel Breuer e muitos outros, todos geniais até hoje, ajudaram a criar o conceito do que hoje chamamos DESIGN!

Assim como é inegável que a orientação ‘nutricional’ da Bauhaus fosse meio vegetariana, é igualmente impensável se imaginar o surgimento mundial do Design como algo que pudesse acontecer fora do escopo de uma orientação política marxista. A recém-proclamada revolução soviética, 2 anos antes da fundação da escola, era o maior ícone do que desejavam as vanguardas de então, a extensão das conquistas burguesas para toda a população. E surge exatamente daí a necessidade da criação do conceito de Design!

Sim, pois arte aplicada ou artesanato implica ainda na produção de peças exclusivas ou em quantidade demasiadamente pequena para que possam estar disponíveis para toda a população. Em contrapartida, os produtos industrializados, que inauguraram uma nova visão em termos de escala de produção, careciam totalmente de uma ligação mais estreita com a estética das artes. Eram projetados por engenheiros ou homens de formação mecanicista, que pensavam apenas em termos de como torná-los úteis e factíveis. Mas se homens com visão estética inovadora assumissem a tarefa de projetar para a escala industrial, a lacuna estaria preenchida. Nascia assim o conceito de projetar algo para produção em escala, com funcionalidade, baixo custo e desenho inovador e artístico. Isso é o que hoje chamamos de DESIGN!

Nesses 90 anos que se passaram, quase tudo que foi produzido no mundo surgiu pelas mãos de algum designer, da fonte que agora uso quando escrevo este texto ao computador no qual o digito. Basta uma rápida olhadela à sua volta e você verá como está irremediavelmente cercado por objetos ‘de design’. Sim, não é apenas a sua poltrona Corbusier (ou a que você desejaria ter!) que são objetos de design, mas da garrafa pet ao copo de vidro, no qual você despejará seu conteúdo, são também objetos oriundos do Design!



Hoje em dia, a visão do que vem a ser um objeto 'de Design' se tornou meio nebulosa, a nova e pop intelligentzia confunde 'ter design' com 'ter a assinatura de um designer famoso ou ter um design consagrado'. E, infelizmente, essa terrível confusão acabou gerando uma verdadeira inversão de valores em relação ao que desejaram os criadores do conceito de Design. Quem compra por uma "peça assinada" acha absolutamente natural pagar valores expressivos por ela. Para justificar em parte essa cobrança expressiva, muitos designers e empresas diminuem sua escala de produção para tornar seus produtos mais exclusivos ou elitistas. Ou seja, vemos hoje uma "artesatização" do que chamamos de Design e isso é, ironicamente, o oposto do que justificou o seu surgimento.

Por isso, nesse 5 de novembro, dito Dia do Designer, minha homenagem vai à essência do objeto de criação desse profissional: estética, aliada à funcionalidade e à produção em escala! Aos designers 'puristas' que ainda se atém a essa tríade, minhas mais sinceras congratulações! Aos pioneiros que tornaram possível o mundo de hoje, minha incontestável gratidão!